História


História da Clínica São Vicente

A Clínica São Vicente nasceu numa época em que a medicina era uma prática ainda artesanal. Neste ano Fleming curava um paciente, Keith Rogers, usando uma novidade – a penicilina.

Linha do Tempo

 1933

Idealizado por dois jovens médicos, Genival Londres e Aluízio Marques, o Sanatório São Vicente foi criado para receber pacientes com perfil psiquiátrico, doenças cardiológicas, geriátricas e outros tratamentos que necessitassem de longo período de repouso.

Recebeu este nome porque teve suas primeiras instalações localizadas num casarão na esquina das ruas Marquês de São Vicente e Adolfo Lutz, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro – área tranqüila, privilegiada pela natureza, ideal para facilitar a recuperação dos doentes. O único evento que projetava a Gávea para o mundo era a “corrida de baratinhas”, precursora da atual Fórmula 1, com o seu famoso Trampolim do Diabo e corredores como Farina, Pintacuda, Viloressi e o nosso Chico Landi. Após a descida do morro Dois Irmãos, onde fica hoje a Rocinha, passavam em velocidade pela rua Marquês de São Vicente.

1942
O Sanatório São Vicente logo conquistou o respeito de médicos e pacientes e a procura pelos serviços aumentou gradualmente, tornando-se necessário ampliar a capacidade de atendimento. Menos de dez anos depois de sua inauguração, constituiu-se uma sociedade anônima que visava a construção de um novo prédio; nessa ocasião o antigo sanatório passou a se chamar Clínica de Repouso São Vicente. João Borges Filho, também médico e proprietário de um grande terreno na Gávea, tornou-se sócio através da cessão de uma parte desse terreno. As obras de construção da nova clínica duraram sete anos.

1949
A inauguração das novas instalações foi um acontecimento médico e social, com a presença do então presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, do prefeito do então Distrito Federal, Ângelo Mendes de Morais, e de outras autoridades. A sede, moderna, com laboratório de análises clínicas, aparelhos de Eletrocardiograma e Raio-X, já acenava com o pioneirismo que marcaria muitos outros passos na futura Clínica São Vicente: foi o primeiro estabelecimento de saúde privado da América Latina a implantar um sistema canalizado de gases medicinais e outros (como oxigênio e ar comprimido), que permitia a chegada dos mesmos aos leitos sem necessidade da permanência de cilindros de gases nos quartos dos pacientes.

Julho de 1966
Por uma imposição legal é criado o cargo de Responsável Técnico. Para a função é indicado o Dr. Luiz Roberto Londres, recém-formado pela Faculdade Nacional de Medicina da então Universidade do Brasil. A natural propensão para um perfil de acolhimento e não apenas de tratamento médico, passa ao nível consciente com a noção implantada de Medicina da Pessoa.

1968
Neste ano chega um novo diretor, aquele que seria o grande incentivador e que possibilitaria a transformação da então Clínica de Repouso São Vicente em um hospital geral; era um português da Ilha da Madeira, que havia acompanhado Edgar Mário Berger na transformação da Casa de Repouso Dr. White em Hospital Silvestre que se tornara o hospital referência do Rio de Janeiro. Manuel Carlos Nunes trouxe um real profissionalismo a uma instituição eminentemente caseira em sua administração. Foi ele quem estruturou em bases adequadas para permitir o salto qualitativo todos os setores de apoio como contabilidade, finanças e recursos humanos, como ainda lançou as bases para um setor de enfermagem apropriado para os novos tempos. Algumas características de Carlos Nunes, como era conhecido, que o tornaram absolutamente ímpar para a história da Clínica São Vicente:

Não trazia problemas, mas situações com suas soluções.
Também não se exaltava ou se deprimia; era constante em seu ânimo.
Não se prendia ao fato, mas a todas as circunstâncias.
Nunca deixou de considerar as pessoas como pessoas.
Nunca se afastou de um primoroso comportamento ético e moral.
Nunca criou qualquer animosidade com seus companheiros.

Com estas características, sua atuação administrativa permitiu que Luiz Roberto Londres, ainda na prática médica, se voltasse aos contatos com profissionais diversos, principalmente da área cirúrgica para projetar o futuro hospital. Com a contratação de um arquiteto, Rolf Werner Hutter, as idéias logo assumem formas e as formas se lançam em construções. Neste mesmo ano é instalada a primeira e modesta Unidade Coronária do Rio de Janeiro constando de dois leitos monitorizados e equipamentos para desfibrilação e cardioversão, ligados à Central de Enfermagem do andar.

1970
Em um tempo absolutamente fantástico, apenas nove meses de construção sob a batuta de Rolf Hutter e do construtor Rafael Borges Dutra, surge um hospital moderníssimo para a sua época. Um Centro Cirúrgico composto de quatro salas, central de esterilização e vestiários, um Centro Radiológico totalmente equipado e diversos quartos reformados. Em setembro desse ano tiveram início as atividades cirúrgicas: Antonio Luiz Medina, Geraldo Terreri, Urbano Fabrini e Ivan Lemgruber foram nossos pioneiros nessa fase. Mas ainda em meio às obras tivemos o nosso primeiro parto no dia 31 de julho, muito antes de pensarmos em ser uma maternidade.

1971
No dia 4 de janeiro Dr. Fernando Paulino envia colaboradores para levantar a qualidade do novo hospital. No dia 19 faz ele sua primeira cirurgia. Com ele vieram o renome, a confiança, o reconhecimento e a “tradição instantânea”. Suas exigências e sua absoluta intransigência no que diz respeito às condições técnicas e à conduta ética eram sobejamente conhecidas. Seu nome avalizou a instituição recém-nascida.

1972
No dia 18 de outubro foi inaugurado, pelo cirurgião Fernando Paulino, o Centro de Estudos Genival Londres, mais uma etapa da transformação da antiga casa de repouso num hospital moderno, agora com caráter científico e em condições de oferecer formação e atualização contínua aos médicos. Sua razão social foi alterada para Centro de Estudos e Pesquisas Genival Londres em 27 de outubro de 1980 e, quatro anos depois, em 10 de fevereiro de 1987, o Centro de Estudos foi reconhecido como uma entidade de Utilidade Pública por decreto presidencial. Neste mesmo ano a Clínica de Repouso São Vicente teve o seu nome alterado para Clínica São Vicente por sugestões de profissionais médicos que cobravam uma medida que já deveria ter sido tomada. Muito antes de ser uma exigência da lei, a Clínica São Vicente implanta a sua Comissão de Controle de Infecção Hospitalar ( CCIH ), com o objetivo de criar ações para prevenir e controlar estas infecções.

1975
Novas obras de modernização, com a construção de mais apartamentos, a instalação da maternidade com seu berçário, a criação de uma UTI com seis leitos, quatro deles intensivos e dois semi-intensivos, e a atualização dos aparelhos de radiologia.

1977 e 1978
Duas inaugurações importantes: uma Unidade de Terapia Intensiva para Recém-Nascidos e uma Tomografia Computadorizada de corpo inteiro, ambas pioneiras em nossa cidade. Desde então a atualização tecnológica passou a ser constante.

Década de 80
Em 1980, a Clínica São Vicente foi pioneira em oferecer, dentro de hospital privado, um serviço de residência em clínica médica, sob a orientação e supervisão do Dr. Félix Roberto Zyngier. Em 1984 com a vinda dos doutores Alberto Coutinho Filho e Francisco Campana, foi inaugurado o Centro de Radioterapia.

Década de 90
Época de transformações febris após uma década relativamente calma, refletindo a crise financeira pela qual passava nosso país. As constantes transformações passaram a ser orientadas por padrões internacionais de qualidade. Instalações e serviços foram re-adequados para atender aos novos critérios. Novo Centro de Terapia Intensiva, ampliação do Centro Cirúrgico, reforma dos quartos, das unidades de recepção e internação, inauguração das Unidades Semi-Intensiva e Cardiológica. Ainda nessa década a inauguração do Serviço de Emergência dentro de parâmetros atualíssimos com médicos preparados pelo sistema ATLS (Advanced Trauma Life Support). Em 1997, em um prazo absolutamente recorde (10 meses) a Clínica São Vicente foi o primeiro hospital das Américas a receber o certificado ISO 9002.

2000 a 2005
No ano de 2000, a maternidade foi desativada. As atividades intensivas, por sua vez, ganharam em 2002 um novo conceito em unidades fechadas, aliando aos avanços dos cuidados biológicos à preservação dos cuidados psicológicos e sociais. A Unidade Cardio-Intensiva (UCI), também chamada Unidade do Coração, foi inaugurada especialmente para os pacientes portadores de doenças cardíacas graves, com três leitos com suporte de terapia intensiva e seis suítes com monitorização hemodinâmica. Nelas, o doente ganhou mais privacidade, além de poder desfrutar da companhia de uma pessoa da família. Seguindo o mesmo conceito, em 2005 foi inaugurada a Unidade de Tratamento Intensivo 2, desenhada de modo que o tratamento intensivo tirasse o mínimo possível o paciente de sua vida familiar.

2006 a 2010
Em 2006, o parque de diagnóstico por imagem foi completamente reformulado para o atendimento tanto a pacientes externos quanto aos pacientes internados em qualquer lugar do hospital. Neste mesmo ano, a Clínica São Vicente lançou o primeiro Programa de Terapia Celular em hospital privado no Rio de Janeiro, com transplante autólogo e alogênico, além de laboratório para manuseio de células-tronco. Em 2007, foi inaugurado o Serviço de Queimados, primeiro em hospital privado no Sudeste do país, voltado ao atendimento de pacientes queimados em todos os níveis de gravidade. Em 2008, a Clínica São Vicente comemorou seus 75 anos de existência e deu início a uma reforma geral em suas instalações. As obras incluem nova pintura da fachada, modernização do Centro Cirúrgico e dos quartos e suítes.

Capital Humano – a grande arte
A história que você conheceu, essa história que nunca acaba de ser construída, marcada por pioneirismos, inovações, tecnologia, ciência e, principalmente, muita arte, é o resultado daquilo que sempre foi o grande patrimônio da Clínica São Vicente: o seu capital humano, aqueles que ajudaram a construir o caráter da instituição e a quem, eternamente, devemos e dedicamos a nossa existência. É incalculável a honra de termos convivido com personalidades médicas que nos honraram e que nos enchem de orgulho até hoje com sua presença.

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